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O Acendedor de Corações e o Amor










 O Acendedor de Corações
e o Amor



Quando a noite silencia
e não se ouve mais
os ruídos do dia,
O Acendedor de Corações
retoma a sua rotina.
Foi assim que começou
a estória do Acendedor.
Com a noite como cobertor
e a insônia a lhe inspirar poesia,
ele já sabia
o quanto a noite estava longe
de conhecer o dia.
Ansiava por um amor
que lhe trouxesse um pouco de calor,
falasse palavras doces
e o abraçasse com ardor.
Mas nada disso ele tinha,
para aumentar sua auto-estima.
Passava as noites perambulando
pelas esquinas do seu pensamento.
E quanto mais ele se entretinha
a escrever nas entrelinhas,
mais desejava encontrar alguém
que soubesse
entender o que ele sentia.
E as horas se estendiam
até o raiar do dia,
sem que o Acendedor encontrasse
quem ele mais queria.
Escreveu tantos versos,
falou tanto de amor,
até que alguém ouviu
falar do Acendedor.
Do outro lado do oceano,
um coração que muito amou,
sentiu que era preciso
conhecer o Acendedor.
E conhecedor desse amor,
transformou o Acendedor
num belo livro de poemas,
onde estão reunidos
os mais belos versos
e as mais belas juras de amor,
coisa que só quem já conheceu o amor
é capaz de entender
“ O Acendedor de Corações.”


Débora Benvenuti

Writer's Block: Parlez-vous francais?

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A Esperança e o Sonho





A Esperança e o Sonho
 


A Esperança estava cansada de esperar pelo Sonho. Quando enfim ele pode ser sonhado, a Esperança ficou cheia de expectativas. O Sonho se aproximou da Esperança e ela suavemente falou aos seus ouvidos, esperando com isso desperta-lo do longo tempo em que o Sonho esperou ser sonhado. Mas este era um Sonho que havia ficado perdido no tempo e com o tempo, havia adormecido e por mais que a Esperança tentasse desperta-lo, ele não demonstrava nenhum sinal de que pudesse ser despertado. Quando o telefone tocou, o Sonho acordou e mesmo depois de desperto, esqueceu  que era Sonho e não mais pode ser sonhado. A Esperança então percebeu que o Sonho, depois de algum tempo, não mais pode ser sonhado, porque perde a essência que um dia o tornara um Sonho e passa a ser apenas uma lembrança esquecida no fundo do baú.

Débora Benvenuti
 

A Imaginação e a Inspiração










A Imaginação e a Inspiração



Por mais que se esforçasse,
a Imaginação estava sem inspiração.
Sempre fora muito criativa,
mas depois que começou a trabalhar,
a Imaginação se cansou
e sem inspiração,
nada mais contou.
Queria dizer aos amigos
o motivo de sua ausência,
mas quanto mais pensava,
mais sentia que a carência
da inspiração tudo dificultava.
Não necessitava de relógio,
era livre e não media as horas.
Agora era escrava do tempo
e precisava estar atenta.
E foi com essa convicção,
que encontrou a Inspiração,
despida de qualquer intenção,
esperando o momento certo,
para fazer as suas persuasões.
Queria convencer a Imaginação
que ela não precisava da Inspiração.
Quando alguém perguntasse,
onde era a fonte,
bastava dizer que a nascente,
mudava a cada instante
e dependia da Inspiração
para ser sua representante.
Mas a Imaginação estava cansada.
Chegava em casa desanimada,
depois de um dia inteiro,
fazendo contas e calculando
o que devia fazer primeiro:
Se escrever novos roteiros
ou ir para a cama e adormecer,
para outro dia ver nascer
e sem mais argumentos,
se convencer,
que trabalhar é bom,
mas dá o que fazer...


Débora Benvenuti


VISITE:http://deborabenvenuti.blogspot.com

Lembranças da Minha Infância









Lembranças da minha Infância



Ainda me lembro
as eternas brincadeiras de criança,
as belas tardes fagueiras,
as noites de lua cheia,
quando corríamos atrás dos vaga-lumes
para iluminar a lâmpada
pendurada na figueira,
onde brincava de casinha
quando era ainda tão pequena.
A brasa do cigarro
que pensei ser um vaga-lume
e que me dissestes para pegar
naquela noite escura,
em que pouca luz tínhamos
na nossa rua...
Os brinquedos que fazias,
recortando lata vazia,
soldando e pintando,
colando figuras d’água,
para imitar as que existia.
O carrinho com motor
que fizestes com tanto amor
e que tinha até acelerador.
As estórias que ouvíamos de nosso avô
e que eu dizia,
quando crescer, vou escrever
para nunca mais esquecer.
Da bruxa do disco voador,
que correu atrás de você,
e te fez passar pela porta de vidro
e depois disso,
nunca mais aparecer...
Quanto medo eu tinha
do lobisomem que imaginava estar
sempre a me esperar,
quando eu ia na casa da minha avó
buscar o mata-mosquito
que minha mãe sempre esquecia de comprar
que eu temia sempre ter que buscar.
Andar à cavalo na fazenda do outro avô,
ver as ovelhas no pasto de manhã,
o leite quentinho na mangueira,
pular a cerca da porteira,
e dar milho às galinhas
que ciscavam pelo pátio
e tantos outros momentos mágicos
guardados na lembrança,
belas cenas da infância,
que ainda guardo com carinho.
Depois o silêncio.
O relógio parado no quarto,
marcando a hora da partida,
tão criança ainda.
O frio que senti nessa hora,
o som das batidas na porta,
avisando a despedida,
o adeus e depois a saudade
que sinto ainda agora
e a tristeza que me devora
por que sei que nunca mais
iremos brincar como outrora,
suaves tarde outonais
que não voltarão jamais
e daí onde estás, meu irmão,
sei que ainda ouvirás
o som dos nossos risos
que se perderam quando partistes
para nunca mais voltar...

Débora Benvenuti

Em Algum Lugar







Sei que estás em algum lugar
e mesmo que eu não possa contigo estar,
neste momento estou a pensar,
no quanto seria bom,
se eu pudesse te encontrar.
Fizemos planos e sonhamos
com tantas coisas
que ainda não realizamos,
mas sentimos que em algum lugar
já nos encontramos
e precisamos nos encontrar novamente
para reviver o que juntos
já vivemos.
Essa é a sensação que temos,
cada vez que nos falamos,
mesmo você estando
do outro lado do oceano.
Em algum momento,
nossas mãos se tocaram,
nossos corações se amaram
e nossos olhares se encontraram.
Enquanto isso não acontece,
meu coração padece
e não esquece
que é preciso te encontrar,
por que somente assim,
saberemos decifrar,
esse enigma que existe
e que nos faz sonhar.


Débora Benvenuti


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A Muralha Invisível








A Muralha Invisível

Meus passos apressados
se perdem na bruma do passado.
Tudo o que eu havia pensado
hoje não tem mais nenhum significado.
Percorro as ruelas estreitas
do tempo e me vejo perdida
num emaranhado de laços,
treliças de momentos
adornados de tormentos.
Tento desvencilhar-me,
desfazer os laços,
caminhar sobre os meus próprios passos.
Mas vejo que por mais que o faça,
continuo presa numa muralha invisível,
que me prende os braços.
Te vejo do outro lado
a acenar-me,
com os olhos marejados
de lágrimas.
São lágrimas que escorrem
na tua face,
misto de desejo e renúncia
de um amor que nunca poderá
se tornar realidade.


Débora Benvenuti

A Saudade está de Volta








A Saudade está de volta
e bate desesperadamente à porta.
Finjo que não há ninguém em casa,
mas ela astuta,abre a porta e entra.
Ouço seus lamentos,
trazidos pelo vento.
A cortina do meu quarto
rodopia alegremente,
como se estivesse a recordar
suaves tardes outonais,
que não voltarão jamais.
E o meu pensamento traz de volta
tantos sentimentos,
esquecidos num canto escuro
da minha mente.
Em câmera lenta,
vejo esses momentos
se desfazendo em flocos de saudade,
que caiem lentamente
sobre o meu corpo inerte.
Saudade é uma palavra ardente,
que queima os nossos sentimentos,
de forma intermitente.
Ela vai e vem tão sorrateira,
que não deixa marcas na soleira.
Saudade vai,
Saudade vem.
A Saudade nunca se contém,
Nunca sabe se vai...
Ou se vem!


Débora Benvenuti

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A Emoção, a Lágrima e o Coração







A Emoção era muito sensível e se emocionava até as lágrimas escorrerem pelo seu rosto. Quando isso acontecia, ela ficava sem poder falar. Tentava dizer alguma coisa, mas nenhum som saía de sua boca. Parecia até que o mundo parava de girar nesses momentos e ela mal se continha, para tentar disfarçar a emoção que a acometia. Já havia dito a si mesma que tentaria não se emocionar com qualquer coisa, mas sempre a Lágrima que ela tentava esconder, aparecia na janela do seu rosto e teimava em aparecer, mesmo que por poucos instantes. Seu amigo Coração, era sempre o responsável por tudo o que acontecia com a Emoção. Muitas vezes ele fingia que não sentia nada, porque já sabia que a Emoção sempre o repreendia, quando ele demonstrava mais do que devia. Viviam os três em constante harmonia. A Emoção dizia ao Coração que procurasse se conter, para que a Lágrima também deixasse de ser curiosa e aparecesse sempre quando a Emoção desejava esconder algum sentimento. Mas isso era uma tarefa muito difícil, que o Coração sempre dizia que era impossível realizar. Algumas vezes, o Coração fingia que nada acontecia. Mesmo assim, ficava gelado e transpirava muito, o que deixava a Emoção ainda mais desesperada. Sem poder se conter, lá vinha a Lágrima espiar na janelinha e se percebia que precisava sair, ia escorrendo até formar um pequeno lago. Depois, tudo serenava. A Emoção se recolhia, acalmava o Coração e a Lágrima fechava a torneirinha e dizia para si mesma, que era hora de adormecer...

Débora Benvenuti


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O Acendedor de Corações








Era uma noite gelada e fria,
em que o sereno da
madrugada caia.
O vento castigava a quem
não se abrigava da noite
que se prolongava,
como uma ave de rapina,
estendendo as suas garras,
até alcançar o raiar do dia.
Nessa noite o Amor
se compadeceu,
de todos aqueles
que não tinham um amor,
para chamar de seu.
Acendeu um candeeiro
e saiu na noite escura,
como um curandeiro,
procurando um coração,
que precisasse de um pouco
de paixão,
para dar vazão à emoção
que fazia eco em seu coração.
Andou por muito tempo
e foi acendendo todos os corações,
em que a chama da paixão,
o vento do tempo apagara.
Por onde andou,
só encontrou as cinzas
que a paixão deixara,
nesses corações que nunca mais
amaram e já haviam esquecido
o quanto o Amor os havia aquecido.
Acendeu tantos corações,
até que o fogo do seu candeeiro apagou
e com o vento como açoite,
voltou para o seu leito
e dormiu como nunca antes
havia feito,
nos lençóis amassados e desfeitos...


Débora Benvenuti


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